No artigo Terminar o namoro por e-mail? foi comentado sobre a pesquisa realizada pela “Nielsen Online” solicitada pelo Google, em que procurava examinar a relação do e-mail com a vida amorosa dos internautas. Nessa mesma pesquisa, em que foram entrevistados 1.713 usuários de e-mails nos EUA (AOL Mail, Gmail, Hotmail e Yahoo!Mail) saiu um dado bastante interessante também que quando o assunto é e-mail, os jovens são mais propícios em expor sentimentos por e-mail que pessoas mais velhas. Na faixa entre 18 e 24 anos, 14% dos entrevistados afirmaram considerar enviar mensagens românticas por e-mails um comportamento ruim, já entre os usuários acima de 55 anos o índice chega a 43%.

De fato, os jovens possuem uma afinidade maior com a internet e isso é percebido em diversos campos: amizade, relacionamento amoroso e até profissional. Isso pode também apontar para outras questões como: será que o jovem possui mais facilidade de se expressarem via internet que pessoalmente? E as relações cotidianas? O jovem consegue exteriorizar o que sente para, por exemplo, sua família? As “relações virtuais” acontecem de maneira distinta das relações cotidianas reais?

Porque se por um lado facilita a comunicação e a propensão do jovem expor seus sentimentos, por outro tem havido muitas reclamações por parte de pais e educadores com relação à falta de diálogo tanto no ambiente escolar quanto em casa. Inclusive, parte da sociedade tem evidenciado certo incômodo com o retrato atual do jovem – despreocupado e, muitas vezes, interessado por coisas tão superficiais que perturba ao pensar qual será o futuro desses jovens?

O que se vê hoje no sistema educacional, tanto no ensino médio quanto no terceiro grau, é desinteresse total do jovem. Ele “empurra com a barriga”, só preocupa em passar de qualquer jeito e não em aprender, procura estágios porque precisa de dinheiro ou porque é quase forçado por pressão da sociedade, instituição ou família. Em festividade ou feriados, quando há um agrupamento de jovens, o que se assiste são bebedeiras, sexo banalizado e, muitas vezes, drogas. São pequenas coisas que põe em questão sobre as conseqüências das atitudes dos jovens hoje. Os efeitos disso já estão sendo refletidos com a violência entre os jovens, crimes de trânsito ocasionado pelo alcoolismo que algumas vezes ficam impunes, chefes (jovens) de quadrilhas do tráfico do êxtase, entre outros que poderiam ser citados aqui incansavelmente. Será que essa figura do jovem é encontrada em gerações anteriores ou é uma característica da juventude do século XXI? O que está faltando ao jovem? Ou o que está excessivo?

Obviamente não é nosso interesse generalizar, mas fazer alguns apontamentos e problematizar questões a partir de outros dados. A falta de diálogo é só um sintoma de outras questões com relação à juventude que estão vindo à tona na sociedade atual e isso faz pensar no papel da juventude na sociedade. É preciso pensar também nos caminhos que podem ser traçados e encontrados na resolução dos próprios problemas da “juventude”.

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